
Com o tempo nós percebemos que amor é segunda vista. É quando nos despimos do personagem que criamos em prol de agradar o outro e passamos a ser somente nós mesmos. É quando o outro ser, ao ver em nós aquilo que realmente somos, decide ficar ao invés de ir embora. Amor é segunda vista. É não se desgastar em versos e frases prontas, pois ao trocar olhares um sente todas as dores e confusões que permeiam o outro ser. É escolher todos os dias a mesma pessoa, quando o mundo te oferece um milhão de possibilidades nas vitrines das ruas, no bar com os amigos e nos incontáveis convites para o café em fim de tarde. Amor é segunda vista. É não mais se encantar com o lado deslumbrante do outro e vê-lo como humano, com o mau humor matinal, as roupas espalhadas pela casa e a incrível habilidade de não saber lidar com certos conflitos. Amor é segunda vista porque te permite desistir todos os dias, quando você se depara com os espinhos que a convivência diária nos traz. Porque houve renúncia, houve doação, mas sobretudo houve colo, ombro, mãos e vontade de estar junto mesmo com as piores tempestades. Amor é segunda vista… É construção diária, é quando a loucura da paixão vai embora e cede o seu espaço à tranquilidade de admirar o outro com todos os defeitos que te complementa. É aprendizado, é ser dois e ser um, é a liberdade que nos permite ser apenas nós mesmos, sem enfeites, sem exageros, sem forçar virtudes que nunca sequer nasceram em nós, sem o desespero de suplicar a companhia do outro. Amor é segunda vista, e o que vem em primeira vista é tão somente as histórias compradas que empurram a nós e nos impedem de vivenciar a paciência e a calmaria que o amor nos traz, porque o amor é, e sempre será a soma de milhares de olhares trocados.