Algumas notas sobre Transtorno Hipersexual

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Em 2022 eu publiquei um artigo científico intitulado “O Transtorno Hipersexual: Uma análise sobre os traços comportamentais, sociais e psicológicos comuns entre as pessoas acometidas pelo Transtorno de Comportamento Sexual Compulsivo”. O artigo foi publicado pela Revista Núcleo do Conhecimento, e esse material faz parte da minha linha de pesquisa desde a época da graduação: A Sexualidade. Falar Sobre Transtorno de Comportamento Sexual Compulsivo envolve uma teia de assuntos que estão para além da descrição das características desse transtorno. É necessário que se fale sobre estigmas, sobre a dificuldade em se buscar ajuda e também sobre os vícios moralmente “aceitáveis” no escopo social.

O Transtorno de Comportamento Sexual Compulsivo (ou Transtorno Hipersexual) afeta a saúde dos indivíduos em diferentes núcleos da vida de quem sofre com essa psicopatologia. Existe uma imensa carga de culpa por não conseguir ter domínio sobre o comportamento compulsivo, além do distanciamento da família e amigos, prejuízo das relações afetivas e a troca de compulsões, tão comum, não somente entre os/as que possuem o Transtorno Hipersexual, mas estando também ligada a outros tipos de comportamentos ligados ao sistema de vícios.

A intervenção profissional para aqueles que possuem Transtorno Hipersexual deve ser destituída de uma conduta moral, “no sentido de não estigmatizar ou vitimizar aqueles/as que possuem transtornos de controle de impulsos nas suas mais variadas ordens, pois as análises morais que se colocam frente aos transtornos de impulsos são um fator que dificulta, tanto a intervenção profissional resolutiva, quanto a procura dos/as sujeitos/as para o tratamento. Analisar a origem do Transtorno de Comportamento Sexual Compulsivo é sobretudo procurar entender a causa do sofrimento psíquico daquele/a indivíduo/a, e não somente da sua compulsão, de modo a encaminhar o/a sujeito/a para o tratamento que mais se adeque à sua realidade” (CARDENAS, 2022).