Não olhe para trás com raiva

1–2 minutos

Ao contrário de muitos, eu não olho para trás com raiva. Talvez as dores da vida tenham me ensinado a agradecer por todas as lágrimas que caíram do meu rosto, e tenham me mostrado o quanto se ferir é por vezes necessário. Sem esses cortes tão inevitáveis a gente não cresce. Proveitoso é se olhar no espelho e ver que o tempo não mudou apenas a nossa aparência. Não foram apenas as marcas de expressão que começaram timidamente a aparecer, ou o cabelo que ficou diferente, mas a alma mudou, e em algum lugar, refletido pelas luzes dos nossos olhos, podemos perceber o quanto mudamos dentro de nós mesmos. Nos libertamos de algumas correntes que de tão velhas se enferrujaram. Deixamos para trás tudo aquilo que nos fazia mal, e passamos a entender que um novo ciclo começa quando um outro se fecha. Olhar para trás com raiva é, sobretudo, não perdoar a si mesmo. É não entender que não somos, nem nunca seremos, completos, e por isso mesmo sempre tropeçaremos nos ladrilhos que colocamos para construir a nossa estrada. E quantas vezes o melhor remédio é nem olhar para trás, porque é muito cruel se martirizar por tão pouco, deixar de viver o presente pelos erros do nosso passado, e o passado não volta para que possamos fazer diferente, e talvez se voltasse estaríamos sempre no mesmo lugar . Já pensou que triste seria se não pudéssemos ter a oportunidade de olhar para frente ao invés de estar sempre tentando consertar o que ficou lá atrás? Por isso digo: não tenhas rancor das histórias mal resolvidas que a vida te trouxe. É experiência vivida, e sinal de que ainda teremos o que aprender.