
Você já parou pra pensar em quantas vezes, ao invés de refletir sobre os seus próprios sentimentos e atitudes, joga em cima do outro e do mundo as suas frustrações? O emprego que não é o dos teus sonhos, aquele namorado que não te leva pra jantar em uma sexta à noite, o filho que não tira notas boas na escola, o parente que só te procura pra pedir alguma coisa, ou até mesmo o clima que anda quente demais. Quando me deparo com alguém que reclama o tempo todo, a sensação que tenho é a de que essa pessoa não tem as rédeas sobre a própria vida, e não tendo, retirou-se do papel de ser o agente responsável por tudo o que acontece nela. E se eu não sou agente, se tudo o que ocorre é exterior às minhas ações, me coloco ali, no confortável sofá da reclamação e deixo de agir sobre a minha vida, apenas pra ficar de expectadora apontando falhas. A gente vem cultivando, ao longo da nossa existência, três hábitos infantis, destrutivos e tóxicos: o ideal de uma felicidade plena que não existe, a arrogância de achar que estamos sempre em posição superior, e portanto quem pensa diferente está no lado ruim da história e a desresponsabilização por nossas próprias atitudes. Quando olhamos os perfis das nossas redes sociais e vemos inúmeros sorrisos destacados em fotos perfeitas jamais imaginamos a dor que se esconde por trás dos cliques. Que o outro ri e chora, entra em conflitos e não vive a vida perfeita que a gente imagina. “A grama do vizinho é sempre mais verde” já dizia o ditado, e a gente se acostuma a ver a grama do vizinho e projetar a nossa frustração por não ter um sorriso igual, ou não levar uma vida igual a do outro. Externamos diariamente a nossa insatisfação diante da vida, muitas vezes sem enxergar o que de bonito dela já conquistamos, o que nós temos, e qual é o nosso grau de responsabilidade na situação em que nos encontramos nesse momento. Porque afinal, o que você está fazendo para conquistar o emprego dos sonhos? Como você cultiva diariamente o amor pelas pessoas que estão ao seu redor? Você que reclama da situação do país, como contribui para que o país se torne um lugar melhor? Você está sendo um agente de mudanças ou está no confortável sofá da reclamação? Quando a gente reclama, não é só o outro que sofre, nós também sofremos, adoecemos, e nos colocamos em uma posição externa das nossas próprias vidas. Mas se você leu até aqui tudo o que eu disse, quero te propor um exercício diário: todos os dias, ao abrir os olhos, agradeça por tudo aquilo que tem. Seja grato pelo caminhar e pelo respirar. Pratique a gratidão consigo e com o próximo, busque estratégias de mudanças, faça terapia e seja diariamente o agente da sua própria vida.